terça-feira, 13 de novembro de 2018

A porção feminina de Deus

Certa madrugada insone, retomei meu trabalho costumeiro ao computador. De repente, pretendi ter ouvido, não sei se do mundo celestial ou se de minha mente em estado alterado, uma voz, em forma de sussurro, que me dizia: “Filho, vou te revelar uma verdade que estava sempre lá, no meu evangelista Lucas, mas que os olhos dos homens, cegados por séculos de patriarcalismo não podiam enxergar”.

“Trata-se da relação íntima e inefável entre Maria e o Espírito Santo”. E a voz continuava sussurrando: “aquele que é terceiro, na ordem da Trindade, o Espírito Santo, é o primeiro na ordem da criação. Ele chegou antes ao mundo; só depois veio o Filho de Deus. Foi o Espírito Santo, aquele mesmo que pairava sobre o caos primitivo e que de lá tirou todas as ordens da criação. Pois desse Espírito Criador, se diz pelo meu evangelista Lucas:’ virá sobre ti, Maria, e armará sua tenda sobre ti; por isso, o Santo gerado será chamado Filho de Deus”. “Armar a tenda”, como sabes, significa morar definitivamente. Se Maria, perplexa, não tivesse dito o seu “sim”, faça-se segundo a tua palavra, o Filho não ter-se-ia encarnado e o Espírito não ter-se-ia feminilizado”.

“Vede, filho, o que lhe estou dizendo: o Espírito veio morar definitivamente nesta mulher, Maria. Identificou-se com ela, se uniu a ela de forma tão radical e misteriosa que dela começou a se plasmar a santa humanidade de Jesus. O Espírito de vida produziu a vida nova, o homem novo, Jesus. Para ti e para todos os fiéis é claro que o masculino através do homem Jesus de Nazaré foi divinizado. Agora, vá lá no evangelho de São Lucas e constatarás que também o feminino, através de Maria de Nazaré, foi divinizado pelo Espírito Santo. Ele armou sua tenda, quer dizer, veio morar para sempre nela. Repare que meu evangelista João diz o mesmo do Filho: ‘Ele armou sua tenda em Jesus”.

“Não é o Espírito”, sussurra a mesma voz, “que toma o profeta para alguma missão específica e cumprida, termina sua presença nele. Com Maria é diferente. Ele vem, fica e não a deixa mais. Ela é elevada à altura do Divino Espírito Santo. Daí que logicamente, ‘o Santo gerado será chamado Filho de Deus’. Somente quem foi elevado à altura de Deus pode gerar um Filho de Deus. É o caso de Maria. Não sem razão, é a “bendita entre as mulheres”.

“Filho, eis uma verdade que deves anunciar: por Maria Deus mostrou que além de ser Deus-Pai é também Deus-Mãe com as características do feminino: o amor, a ternura, o cuidado, a compaixão e a misericórdia. Estas virtudes estão também nos homens, mas elas encontram uma expressão mais visível nas mulheres”.

“Filho: ao dizeres Deus-mãe descobrirás a porção feminina de Deus com todas as virtudes do feminino. Não deves esquecer nunca que as mulheres jamais traíram Jesus. Foram-lhe fiéis até ao pé da cruz. Enquanto os homens, os discípulos, fugiram, Judas o traiu e Pedro o negou, elas mostraram um amor fiel até o extremo. Elas, antes dos apóstolos, foram as primeiras a testemunharem a ressurreição de Jesus, o fato maior da história da salvação”.

“O feminino de Deus não se esgota em sua maternidade, mas se revela no que há de intimidade, de amorosidade, de gentileza e de sensibilidade, perceptíveis no feminino”.

“Não permita que ninguém, por nenhuma razão, discrimine uma mulher por ser mulher. Aduza todas as razões para respeitá-la e amá-la, pois ela revela algo de Deus que somente ela pode fazer, sendo junto com o homem, a minha imagem e semelhança. Reforce suas lutas, recolha as contribuições que traz para toda a sociedade, para as Igrejas e para um equilíbrio entre homens e mulheres. Elas são um sacramento do Deus-Mãe para todos, um caminho que os leva à ternura de Deus. Oxalá as mulheres assumam sua porção divina, presente numa companheira delas, em Maria de Nazaré. Mas o dia virá em que cairão as escamas que encobrem seus olhos. E então, homens e mulheres, nos sentiremos também divinizados pelo Filho e pelo Espírito Santo”.

Ao voltar a mim, senti na clareza de minha mente, o quanto de verdade me tinha sido comunicado. E comovido, enchi-me de louvores e de ações de graça.

Leonardo Boff  escreveu O rosto materno de Deus, Vozes 1999.






Conheça nosso Instagram @VocacionalOblatas



sexta-feira, 9 de novembro de 2018

Cristo “jovem entre os jovens”


Imagem: ACI Digital
A juventude é uma idade da vida original e entusiasmante, pela qual o próprio Cristo passou, santificando-a com a sua presença. Ireneu de Lião nos ajuda a esclarecer esta realidade, quando afirma que Jesus «sem renegar nem ultrapassar a humanidade, não aboliu em si a lei do gênero humano e santificou todas as idades, por aquela semelhança que estava nele. Veio para salvar a todos mediante a sua pessoa, todos, digo, os que por sua obra renascem em Deus, crianças, meninos, adolescentes, jovens e adultos. Eis por que passou por todas as idades, tornando-se criança com as crianças, santificando as crianças; com os adolescentes se fez adolescente, santificando os que tinham esta mesma idade e tornando-se ao mesmo tempo para eles o modelo de piedade, de justiça e de submissão. Jovem com os jovens, tornou-se seu modelo e os santificou para o Senhor» (Contra as heresias, II, 22.4). Jesus, portanto, “jovem entre os jovens”, quer encontrá-los caminhando com eles, como fez com os discípulos de Emaús (cf. Lc 24,13-35). Quer ainda hoje oferecer a Si mesmo para que cada um deles tenha vida em abundância (cf. Jo 10,10).

Fonte: Instrumentum Laboris. 
Os jovens, a fé e o discernimento vocacional. Página 29.




Conheça nosso Instagram @VocacionalOblatas


terça-feira, 6 de novembro de 2018

Curiosidades da Santa Missa

Qual o Significado de colocar um pouco de água no cálice com vinho durante a celebração Eucarística?

É um rito simples, mas que tem um grande significado, haja vista sua relação com Cristo e com a Igreja, ou seja, com Cristo e nossa humanidade. Isso nos leva a contemplar que Jesus Cristo é verdadeiro Deus e verdadeiro homem; jamais nos cansaremos de afirmar essa realidade, pois é o fundamento da fé cristã.

Podemos fazer um paralelo desse rito da água e do vinho na celebração da Santa Missa com o primeiro milagre realizado por Jesus, transformando água e vinhos nas bodas de Caná (cf. Jo 2,1-12). Consideramos que Jesus não está alheio às nossas necessidades, mas entende e participa plenamente de nossa humanidade. Para ilustrar isso podemos citar um trecho de uma homilia de São João Paulo II: "Eis que a água, nossa bebida mais comum, ganha pela ação de Cristo um novo caráter: torna-se vinho, portanto uma bebida, de certa forma, mais valiosa. O sentido desse símbolo - da água e do vinho - encontra a sua expressão na Santa Missa. Durante o ofertório, unindo um pouco de água ao vinho, pedimos a Deus por intermédio de Cristo participar da sua vida no sacrifício eucarístico" (São João Paulo II, homilia na Catedral de São Sebastião, Rio de Janeiro, em 4/10/1997).

Santo sacrifício, porque atualiza o único sacrifício de Cristo Salvador e inclui a oferenda da Igreja; ou também, santo sacrifício da Missa, sacrifício de louvor, sacrifício espiritual, sacrifício puro e santo, pois realiza e supera todos os sacrifícios da antiga aliança (cf. Catecismo da Igreja Católica, 1.330).

"A Eucaristia é também o sacrifício da Igreja. A Igreja, que é o corpo de Cristo, participa da oferta de sua cabeça. Com Cristo, ela mesma é oferecida inteira. Ela se une à sua intercessão junto ao Pai por todos os homens. Na Eucaristia, o sacrifício de Cristo se torna também o sacrifício dos membros de seu corpo. A vida dos fiéis, seu louvor, seu sofrimento, sua oração, seu trabalho são unidos aos de Cristo e á sua oferenda total e adquirem assim um valor novo. O sacrifício de Cristo, presente sobre o altar, dá a todas as gerações de cristãos a possibilidade de estarem unidos à sua oferta" (Catecismo da Igreja Católica, 1.368).

Assim, que essa união da água ao vinho nos leve a unir nossa vida à vida de Cristo, transformando-nos, para que possamos viver por Cristo, com Cristo e em Cristo.


Valdeci Toledo
Fonte: Revista Ave Maria - Agosto, 2018



Conheça nosso Instagram @VocacionalOblatas

quinta-feira, 1 de novembro de 2018

Celebrar nossa vocação ao céu

Quando estudamos sobre liturgia e suas dimensões escatológicas, falamos dos santos como nossos irmãos que viveram a fé, procurando praticar o bem e evangelizar os irmãos. A santidade fundamental e absoluta de todos os cristãos é Jesus Cristo. Ele é o santo único e modelar de todo os povos e de todos aqueles que buscam o amor de Deus para serem felizes. 

São muitos os santos, são mesmo incontáveis, e todos os fiéis devem se inspirar neles para seguir o caminho do bem e do amor, e celebramos sua vida e exemplo para lembrar que somos todos convidados à santidade e somos levamos a antecipar os dons escatológicos de nossa fé. 

Celebrar os santos, mártires e nossos falecidos são uma expressão de fé da cultura dos fiéis. Isso nos leva a vivenciar a experiência celestial, antecipar os bens espirituais do céu na terra, e a não perder a centralidade do mistério pascal, que é a essência da liturgia cristã.

Esta proposta faz com que os fiéis se preocupem com o mistério de Cristo, sobretudo em sua paixão, morte e ressurreição. 

Trazer à memória de cada santo é lembrar que aquela história de vida se tornou modelo do seguimento do Filho de Deus, e assim como nossos mortos, nos recordar e celebrá-los é revelar a unidade entre o céu e a terra, na esperança da ressurreição, pois quando partimos deste mundo onde vivemos como peregrinos, continuamos nossa existência no plano divino.

Viver a esperança na ressurreição é a grande alegria para cada cristão, pois somos todos vocacionados para a eternidade e chamados por Deus para ir ao seu encontro; Vim de Deus, voltarei a Deus para sempre.

As famílias, mesmo as mais afastadas das práticas litúrgicas, procuram os sacerdotes e ministros das exéquias, para encomendar seus mortos para Deus. Como a criança entrou no mundo pela bênção batismal, ele volta para Deus por um ritual de passagem, pelas mãos dos ministros as Igrejas.

É um instante muito profundo da fé cristã, pelo qual a vocação para vida se revela mais grandiosa e feliz. Ouvimos o chamado de Deus para viver em seus caminhos e no final da vida Ele nos chama para habitar para sempre com Ele em sua morada celestial.

Texto com Adaptações. 
PE. Antônio S. Bogaz – Prof. João H. Hansen – PODP /
 Autores de Novos Tempos da Celebração cristã. Paulus: 2014.




Conheça nosso Instagram @VocacionalOblatas




segunda-feira, 29 de outubro de 2018

Oração do mês missionário 2018


Deus Pai, Filho e Espírito Santo,
nós Vos louvamos e bendizemos
pela Vossa comunhão,
princípio e fonte da missão.
Ajudai-nos, à luz do Evangelho da paz,
testemunhar com esperança,
um mundo de justiça e diálogo,
de honestidade e verdade,
sem ódio e sem violência.
Ajudai-nos a sermos todos irmãos e irmãs,
seguindo Jesus Cristo
rumo ao Reino definitivo.

Amém.


Conheça nosso Instagram @VocacionalOblatas

sexta-feira, 26 de outubro de 2018

Missão Oblata, um convite desafiante

Em 15 de agosto de 1957, María Asunción fez seus primeiros votos como Irmã Oblata do Santíssimo Redentor. Desde esse mesmo ano, esta espanhola oriunda de Bustillo del Páramo, começou a desenvolver  seu trabalho como Irmã Oblata no Brasil, aonde continua até hoje.

Neste grande país trabalhou em cidades como Belo Horizonte, Curitiba, São Paulo, Santos, Salvador- Bahia e Rio de Janeiro. Ao longo de todos estes anos, desempenhou diversas tarefas à serviço da Congregação e das mulheres que se encontram em situação de prostituição; que vão desde a coordenação de algumas comunidades onde morou, trabalhos em internatos para jovens, até colaborar no lançamento do projeto Força Feminina em Salvador. Atualmente atende a comunidade no Rio de Janeiro.

Do mais difícil e gratificante de sua missão como oblata, recorda quando trabalhou com algumas jovens nos internatos, assim como o acompanhamento das mulheres com problemas e necessidades. Em sua trajetória como Oblata, Irmã Asunción sempre teve uma vida ativa e de entrega ao serviço da Congregação.

Hoje em dia, não se imagina viver em outro país que não seja o Brasil, onde se sente mais “em casa” que na Espanha, seu país de origem. Reconhece que a parte mais difícil desta vida missionária foi, nos seus primeiros anos, adaptar-se a uma nova realidade, o ambiente, a linguagem... questões que ao longo do tempo assimilou como suas. 

Irmã Asunción reconhece que vê Deus em meio às diversas situações e problemas que lhe apareceram ao longo da vida como religiosa. Problemas que ela viveu com paz, pois para ela Deus está presente na vida, nas pessoas e no dia a dia com suas circunstâncias. Afirma que é especialmente na oração e no encontro com os outros, onde se encontra com Deus. 




Conheça nosso Instagram @VocacionalOblatas


quarta-feira, 24 de outubro de 2018

Batizados e Enviados: a Igreja de Cristo em missão no mundo.

Cidade do Vaticano

Acolhendo a proposta da Congregação para a Evangelização dos Povos, o Papa Francisco proclamou outubro de 2019 como o Mês Missionário Extraordinário com o objetivo de “despertar em medida maior a consciência da missão ad gentes e retomar com novo impulso a transformação missionária da vida e da pastoral”.

Confira o vídeo!





Conheça nosso Instagram @VocacionalOblatas