segunda-feira, 15 de julho de 2019

De equivocados a vítimas: as juventudes como para-raios das transformações sociais

Por: João Vitor Santos
Para muitos adultos, falar de jovens e adolescentes é falar de gente que acha que sabe de tudo, que não respeita nem leva em conta a experiência dos mais velhos. “Historicamente compreendemos as juventudes como segmento social equivocado por natureza, muito diferente de nós, com quem não conseguimos dialogar”, observa o pesquisador Giovane Scherer. Entretanto, ele lembra que muitas vezes os adultos esquecem que “diálogo também é escuta, e não somente prescrição”. “Muitos adultos tentam entender a forma pela qual a juventude interage por meio de preconcepções e prescrições do que eles devem fazer, sem nem sequer ouvir, de forma atenta, a maneira pela qual a juventude compreende o mundo”, completa, ao lembrar desse que é um eterno conflito de gerações.
Fonte: Internet
               "As juventudes demonstram                   o que toda a sociedade está       vivenciando em um determinado                     momento histórico".
Na entrevista a seguir, concedida por e-mail à IHU On-Line, Giovane chama atenção para como essas novas gerações podem ser apreendidas enquanto indicadores de transformações a que todos são submetidos. “As juventudes demonstram o que toda a sociedade está vivenciando em um determinado momento histórico. Evidentemente, as juventudes não são um simples reflexo, que, de forma passiva, demonstram as transformações sociais, mas são compostas por sujeitos que participam e constroem história, juntamente com os demais segmentos sociais”, explica.
Logo, se uma sociedade é atravessada pela tecnologia, o impacto maior é nas novas gerações. Assim, se vivemos crises de trabalho, a reverberação nas novas gerações é muito maior. “As juventudes são o segmento social que mais vem vivenciando esse contexto de precarização das condições laborais. Sob o pretexto da necessidade de ‘apreender a trabalhar’, se oculta uma série de formas de precarizações e explorações da força de trabalho juvenil, sendo por meio de estágio, contratos por tempo parcial, contratações por via do trabalho intermitente”, exemplifica.
Giovane estende o raciocínio para a questão da violência, pois jovens são os que mais morrem. Isso, para o pesquisador, pode ter relação com a falta de trabalho. “O tráfico de drogas cumpre, especialmente para as juventudes pobres, uma inserção laboral altamente violenta e precarizada, se constituindo um catalizador da violência”, aponta. Mas como construir um futuro com essas novas gerações? Ele tem uma pista: “a educação para as juventudes, na atualidade, deve ser o foco do país, tendo a necessidade de investimentos em todos os níveis de formação profissional. A educação não pode ser vista de forma fracionada e focalizada, mas como algo integral e universal, como aponta o texto constitucional”.
Giovane Antonio Scherer possui graduação, mestrado e doutorado em Serviço Social. Realizou seus estudos de doutoramento com período de estágio doutoral junto ao Centro de Estudos Sociais - CES da Universidade de Coimbra, em Portugal. Atualmente é professor na Escola de Humanidades da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul – PUC-RS, no curso de Serviço Social, junto à graduação e ao Programa de Pós-Graduação. Entre suas publicações, destacamos Serviço Social e Arte: Juventudes e Direitos Humanos em Cena (São Paulo: Cortez, 2013).
Confira a entrevista.

sexta-feira, 5 de julho de 2019

Estar no mundo à maneira de Jesus.

Pe. Adroaldo Palaoro, sj

“…e os enviou dois a dois, na sua frente, a toda cidade e lugar aonde Ele própria devia ir” (Lc 10,1)
Ainda carregamos resquícios de uma falsa visão da santidade como afastamento do mundo e de seus perigos e buscar refúgio no deserto, nas montanhas ou nos conventos. O(a) santo(a) não se afasta do mundo para encontrar a Deus; ele(ela) faz a “experiência” do Deus agindo no mundo.
Aí O encontra e caminha com Ele; o(a) santo(a) é aquele(a) que faz o que Deus faz neste mundo, aquele que faz com que este mundo seja justo, santo, salvo. O mundo não é só o “habitat” da sua missão: é sobretudo a fonte da sua espiritualidade, o lugar certo para encontrar a Deus e escutar o Seu chamado. 
Pondo-nos na escola do Evangelho, é aqui, neste mundo, que Jesus nos chama a estender o Reinado do Pai, trabalhando cada dia como amigos seus que passam, observam, curam, se compadecem, ajudam, transformam, multiplicam os esforços humanos.
Apaixonados pelo Reino, nos apaixonamos pelo mundo que, em sua diversidade, riqueza, simplicidade, profundidade, fragilidade, sabedoria… nos fala com novos traços do Deus que buscamos com desvelo. E amando e investigando tudo o que é do mundo, adoramos o Deus Santo que habita em tudo.
O(a) santo(a) seguidor(a) de Jesus é aquele(a) que, na liberdade, afirma: “Fora do mundo não há salvação”. Ele(ela) descobre na realidade do mundo e da história os “sinais dos tempos” e entra em comunhão com tudo, porque tudo é “diafania” de Deus. Enraíza sua convicção nesta visão, nesta mística da presença de Deus em sua obra, na contemplação de um mundo chamado a re-converter-se em justo e belo, verdadeiro e pacífico, unido e reconciliado, entranhado em Deus, como no primeiro dia da Criação.
A vocação à santidade ativa em nós a paixão pelo Reino, mobilizando-nos a levar adiante a missão, a ir aos lugares do mundo onde há mais necessidade e ali realizar obras duradouras de maior proveito e fruto.
Como seguidores(as) de Jesus, movidos(as) por um olhar novo, entramos em comunhão com a realidade tal como ela é. Trata-se de olhar o mundo como “sacramento de Deus”. Um olhar capaz de descobrir os sinais de esperança que existem no mundo; um olhar afetivo, marcado pela ternura, compassivo e por isso gerador de misericórdia; olharque compromete solidariamente.
O(a) discípulo(a) missionário(a) não é aquele(a) que, por medo, se distancia do mundo, mas é aquele(a) que, movido(a) por uma radical paixão, desce ao coração da realidade em que se encontra, aí se encarna e aí revela os traços da velada presença do Inefável; o mundo já não é percebido como ameaça ou como objeto de conquista, mas como dom pelo qual Deus mesmo se faz encontrar. O mundo não é lugar da exploração e da depredação, mas é o lugar da receptividade, da oferenda e do encontro inspirador.
Para realizar esta nobre missão, não podemos permanecer sentados. Seguir Jesus exige de nós uma dinâmica continuada, um colocar-nos a caminho em direção às margens. Não podemos viver o chamado do “Rei Eterno” a partir de uma cômoda instalação pessoal. A disponibilidade, o despojamento e a mobilidade são exigências básicas.
Corremos o risco de viver em mundos-bolha; podemos construir nossa vida encapsulada em espaços feitos de hábito e segurança, convivendo com pessoas semelhantes a nós e dentro de situações estáveis. É difícil romper e sair do terreno conhecido, deixar o convencional. Tudo parece conspirar para que nos mantenhamos dentro dos limites politicamente corretos. Todos podemos terminar estabelecendo fronteiras vitais e sociais impermeáveis ao diferente. Se isso acontece, acabamos tendo perspectivas pequenas, visões atro-fiadas e horizontes limitados, ignorando um mundo amplo, complexo e cheio de surpresas. Muitas vezes “vemos” o diferente, mas só como notícia, como o olhar do espectador que sabe das “coisas que acontecem”, mas não sente e nem se compadece por elas.
Viver a santidade no mundo de hoje nos move a encontrar outras vidas, outras histórias, outras situações…; escutar outros relatos que trazem muita luz para a nossa própria vida. Olhar a partir de um horizonte mais amplo, ajuda a relativizar nossos próprios absolutos e deixar-nos impactar pelos valores presentes no outro. Escutar de tal maneira que o que ouvimos penetra na nossa própria vida; isso significa implicar-nos afetivamente, relacionar-nos com pessoas, não com etiquetas. Acolher na nossa própria vida outras vidas; abrir espaços para que as histórias dos excluídos e diferentes encontrem morada nas nossas entranhas, na nossa memória e no nosso coração.
O encontro com o diferente possibilita também o encontro consigo mesmo, ou seja, encontrar a própria verdade. Isso implica em se perguntar pela própria identidade, por aquilo que dá sentido à própria vida, o impulso por viver de uma maneira cristificada, conforme os valores do Reino.
Para que haja verdadeiro encontro com o outro, o deslocamento expõe quem se desloca, deixa-o vulnerável e “contaminado” pela realidade que encontrou. Quando alguém se desloca e se aproxima de realidades diferentes, é para encontrar, encontrar-se e aprender.
Como discípulos(as)-missionários(as) de Jesus, nosso desafio não é fugir da realidade, mas aproximarmos dela com todos os nossos sentidos bem abertos para olhar e contemplar, escutar e acolher, percebendo no mais profundo dela a presença ativa do Deus que nos ama com criatividade infinita, para encontrar-nos com Ele e trabalhar juntos por seu Reino. O mundo precisa de místicos(as) santos(as) que descubram onde está Deus criando algo novo, para proclamar esta boa notícia.
Nós cristãos honramos a santidade universal sem fronteiras de raça, de credo, de cultura…
Santidade é dizer sim à vida; é um caminho a ser percorrido “de dois em dois”.
Porquê esta insistência em fazer o caminho ao menos junto a outro(a)? Do envio dos discípulos e discípulas de dois em dois, podemos tirar duas consequências: uma para os momentos de fragilidade, de cansaço e de desânimo; a outra para quando nos sobrevém inesperadamente a luz, a alegria…
Precisamos fazer o caminho em companhia para poder estendermos a mão quando caímos, para aprender a sustentar mutuamente… E, também de “dois em dois” para ter alguém ao nosso lado com quem poder brindar, porque é uma ação que não é possível realizá-la sozinhos. Celebrar, agradecer, brindar a vida… para isso, quanto mais companheiros(as) de estrada, melhor.
Textos bíblicos Lc 10,1-12.17-20
 Na oração: Todas as narrativas acerca do chamado conservam a marca intencional de um encontro surpreendente, inesperado e expansivo: deixar a vida estreita para entrar no amplo espaço de vida proposto por Jesus.
  • Diante de Jesus, que “passa e chama” a todos, responda: como você vive, hoje, sua missão no trabalho, no seu ambiente, na sua comunidade?
  • Que sentido você quer dar à sua própria vida?… em quê gastar suas forças, capacidades?
  • Como viver, no seu cotidiano, sua vocação de discípulo(a)-missionário(a)?




segunda-feira, 1 de julho de 2019

O que é, afinal, a vida?

Num lindo dia de sol, por volta do meio-dia, fez-se grande silêncio na orla da mata. 
Os passarinhos haviam escondido suas cabecinhas sob as asas, e tudo descansava.
Foi quando o bem-te-vi espiou por entre a folhagem  da árvore e perguntou:
“O que é, afinal, a vida?”
Todos se surpreenderam com essa pergunta difícil. 
O bem-te-vi deixou seu galho, deu uma grande volta pelo campo e voltou, em seguida, ao seu lugar, a sombra da árvore.
Uma roseira, à beira do caminho, estava, nesse momento, abrindo um botão.
Desenrolando uma pétala após a outra, dizia: “A vida é desenvolvimento”.

A borboleta era menos profunda. Voava de uma flor à outra e, beliscando de sua doçura, dizia:
“A vida é só alegria e brilho”.
Por entre o gramado denso, uma formiga carregava uma haste dez vezes mais longa do que ela própria. Numa parada para descanso, ela disse: “A vida é um misto de trabalho e prazer”.
Uma abelha, voltando de sua excursão pelo campo, carregadinha de néctar, observou: “A vida é um misto de trabalho e prazer”.

Ouvindo essas reflexões sábias, o ratão não pode deixar de dar seu palpite:
“A vida? A vida é uma luta no escuro”.
Quase teria dado briga entre os animais, se não tivesse começado a chover. 
E a chuva dizia: “A vida consiste de lágrimas, só lágrimas”.
Muito alto no céu, uma águia perfazia círculos majestosos. 
Ela exultava: “A vida é um esforço para subir”.
Não muito longe da margem, uma árvore já curvada pela tempestade disse: 
“A vida é inclinar-se sob uma força maior”.

Então veio a noite. Silenciosamente, uma coruja deslizava pelo campo em direção à mata. 
Disse: “A vida é aproveitar as oportunidades enquanto os outros dormem”.
Finalmente, o silêncio cobriu o campo e a mata. Após algum tempo, um jovem caiu na relva, cansado de dançar e beber, e disse: “A vida é uma busca constante da felicidade e de uma longa corrente de decepções”.

De repente, a aurora se levantou em todo o seu esplendor e disse: 
“Assim como o dia é um instante da vida, assim a vida é um instante de eternidade”.


Conto sueco.
Fonte: Jornal de opinião.


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quinta-feira, 27 de junho de 2019

Celebrando a presença de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro

O mês de junho, como Igreja, vivemos a devoção ao Sagrado Coração de Jesus e nós, Família Oblata, também a devoção a Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, já que o 27 de junho é o dia dedicado a Ela.

Cultivamos um amor todo especial a Nossa Senhora sob esse título que nos foi herdado da Espiritualidade Redentorista e dos Nossos Fundadores – Pe. Serra e Madre Antonia – que a escolheram como Aquela que vela pela nossa fidelidade no caminho de seguimento de Jesus. Disse o nosso Fundador: “Nomeemo-la suprema Governadora de toda a Congregação. Quanta necessidade nós teremos de seu Perpétuo Socorro para conseguir, por sua mediação, a perseverança e a conversão das mulheres encomendadas aos nossos cuidados!”. Aprendemos tanto com o Pe. Serra e Madre Antonia, como com as irmãs que nos antecederam nos primeiros anos de fundação e expansão da Congregação, esse amor que nos faz até hoje recorrer a Ela e a reconhecê-la como nossa Mãe e Companheira de caminho.

Nossa Senhora do Perpétuo Socorro é venerada num quadro que “foi pintado no estilo bizantino da Igreja Oriental”, é um ícone que nos convida a olhar, a contemplar, a ir mais além e entrarmos no Mistério do Amor de Deus revelado na Virgem Maria. É uma experiência orante que alimenta e aquece o nosso coração, pois evoca a presença da Mãe de Deus em nossa na vida, na caminhada de cada dia, na vida das mulheres em situação de prostituição! Por isso vale a pena, mesmo de forma sucinta, percorrer cada parte do quadro para podermos contemplar com sentido, já que todo ele é rico de significado. 

Olhando para Maria percebe-se que Ela olha diretamente para nós, não olha para Jesus, nem para os anjos aos lados. Ela olha somente para nós, como se quisesse nos falar uma coisa muito importante e certamente fala ao coração de cada filha e filho que a contempla. 

A cor dourada na Idade Média significava o céu e está vestida com um manto azul com forro verde e uma túnica vermelha que eram as cores da realeza, ou seja, Ela é nossa Rainha, seja no Céu como na Terra, tendo poder para interceder por nós. Parece que a estrela de oito pontas sobre a sua fronte foi provavelmente colocada depois por um artista para representar que “Maria é a estrela que nos guia até Jesus”.

As letras acima da sua cabeça a proclamam Mãe de Deus (em grego) e as letras à direita do Menino proclamam que ele é Jesus Cristo.

No quadro Jesus não está olhando para nós, nem para Maria, nem para os anjos. Ele se agarra à sua Mãe, mas seu olhar é distante, olhando para alguma coisa que não podemos ver e que o fez voltar-se tão rápido para a sua Mãe, buscando Nela proteção e amor a ponto de uma das suas sandálias quase ter caído.

As figuras que aparecem de ambos os lados de Jesus e de Maria e que são identificadas pelas letras gregas acima deles como sendo os Arcanjos Gabriel e Miguel nos dão a resposta porque o Menino se assustou e recorreu logo à Sua Mãe. Eles ao invés de trazerem harpas e trombetas de louvor e ação de graças trazem “os instrumentos da Paixão”, “à esquerda, Miguel segura uma urna contendo o fel que os soldados ofereceram a Jesus na cruz, a lança que atravessou seu lado e a vara com a esponja e à direita, Gabriel carrega a cruz e os quatro cravos”. 

Entendemos então que Jesus, conhecendo todo o sofrimento e morte que o esperava, como homem sente medo e voltou-se para sua Mãe que o segura nesse momento, certa de que Ela não pode evitar tudo que lhe irá acontecer, mas lhe oferece o seu amor, sua ternura e seu conforto. 

E Nossa Senhora olha para nós, como se nos convidasse a entrar nessa confiança porque sabe que nós também, suas filhas e filhos, vivemos momentos de muita luta e muitos perigos, que temos medo de enfrentar aquilo que nos custa, afinal entende dos dramas humanos. O seu olhar profundo nos revela que, assim como Seu Filho voltou-se para sua Mãe e encontrou refúgio, nós também podemos nos dirigir a Ela com igual confiança e prontamente nos oferece o mesmo Amor e nos alenta no caminho. 

Assim que recorramos todas e todos a Ela sempre, pois Nossa Mãe nunca nos abandonará e vamos rezar agora e renovar a nossa Consagração a Nossa Senhora do Perpétuo Socorro:

Ó Maria, eu Vos escolho por minha Mãe e  Mestra. Eu vos consagro tudo o que tenho tudo  o que sou.  Eu Vos  dou  o meu  corpo, a minha  alma, os meus bens, o meu passado, o meu presente, o meu futuro, as  minhas  alegrias, as  minhas  dores, a minha  vida, a   minha morte, a  minha  eternidade. Disponde  de  mim como Vos aprouver. 
Recebei este meu ato de amor: quero ser Vossa para ser de Jesus. Santa Mãe do Perpétuo Socorro, abençoai-me! Amém. 

Por: Ir. Beatriz, OSR



quinta-feira, 20 de junho de 2019

Missão Oblata – Uma história de compromisso e solidariedade

Neste mês de Junho, em que celebramos os 155 anos do inicio da missão, toda família Oblata faz memória do caminho percorrido por Padre Serra e Madre Antonia no acolhimento das mulheres em situação de prostituição na Espanha no século XIX.  Ao Relembrar a raiz de nossa atuação, vemos como o ontem e o hoje se misturam, e como as realidades dos séculos passados são tão atuais e tão vivas em nosso presente. 

Assim como nossos fundadores, cada unidade Oblata vivencia momentos de alegrias, angústias, dificuldades e desafios; mas sempre com fé, perseverança e entrega total à disponibilidade do Redentor. Animada pela mística evangélica, a missão é realizada sempre trazendo a essência de todo caminho percorrido ao longo da história e das experiências que cada Irmã Oblata traz em sua vida e vocação.

São essas vidas e experiências que fizeram com que a missão com a mulher em contexto de prostituição se estendesse por 15 países, com uma pedagogia baseada na vivência de Madre Antonia, que se fundamenta no Amor, amor que se exprime num profundo respeito e acolhida da vida de cada pessoa. Pedagogia "do pouco a pouco", segundo Madre Antonia,  entendida e concretizada em processos que partem da realidade das mulheres acompanhadas incluindo e incentivando seus potenciais e capacidades mais genuínas.

As unidades de missão Oblata são presença de solidariedade e compromisso, na promoção de uma maior humanização da realidade das mulheres em situação de prostituição. Buscam impulsionar seu protagonismo e fortalecer sua organização e capacidade de liderança, valorizando a dignidade da pessoa humana que se encontra em cada mulher que está em situação de prostituição. 

Nossa família Oblata louva e agradece por cada passo e por cada pessoa que caminhou conosco nestes 155 anos, fortalecendo este trabalho de Redenção e resinificando a cada dia nossa vocação de acolher e colaborar no desenvolvimento pessoal e espiritual de cada mulher atendida.

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quinta-feira, 13 de junho de 2019

Viver é Optar

É muito difícil conceituar-se a vida. Daí as várias definições que ela tem recebido no decorrer dos séculos...“Viver é optar e apaixonar-se pelo que se optou”. Frase do filósofo dinamarquês Kierkegaard, considerado o pai do existencialismo.

Não é preciso dizer que esta definição não diz respeito à vida como distinção entre seres animados e inanimados, mas na sua dimensão de vida humana, porque está embutida nela o dom que Deus concedeu exclusivamente ao ser humano: a liberdade. Em toda a escala zoológica, só a ele foi dado o poder de escolher. Enquanto os animais são dirigidos pelos instintos, ele tem possibilidade de fazer suas opções, até o dia em que a morte o tirar deste mundo, ou a sua razão, quer pelo anos, quer por doença, mostrar-se incapaz de escolher. De acordo com a definição acima, a realização humana depende das escolhas de cada um e da maneira como se mostra fiel a elas: “...apaixonar-se pelo que se optou”. As opções tanto concorrem para a dinâmica da vida, como podem constituir-se um obstáculo para a felicidade pessoal e desenvolvimento da coletividade. Por isso, a liberdade de escolha é um trunfo de que a pessoa dispõe para viver, com coerência, a sua peregrinação terrena, mas é também um motivo de imensa responsabilidade.

A neutralidade diante de importantes fatos da vida, o “ficar em cima do muro”, o “lavar as mãos”, quando as circunstâncias exigem uma tomada de posição, são erros contra a liberdade cometida pelo homem. É covarde quem foge a tal desafio, porque perde a oportunidade de se afirmar como criatura de decisão. Sem dúvida, qualquer opção representa um risco para a pessoa, porque existem escolhas de consequências irreversíveis. Mas é bom lembrar que não avança no seu amadurecimento quem deseja instalar-se na certeza e na segurança. A pessoa é pressionada a se definir não apenas em momentos de decisões radicais, como em relação a uma profissão ou um casamento, mas a cada passo dado na estrada do tempo. Ele vive escolhendo, e todos os seus atos representam uma opção entre as duas propostas que o cotidiano sugere a cada minuto: a proposta do bem e a do mal.

Diante da importância da opção para todo homem, e já que a escolha faz parte do cotidiano, é indispensável que a pessoa seja educada para saber escolher, a partir dos critérios da sua consciência, dos valores que dignificam o indivíduo e contribuem para o bem comum. Optar é exigência da condição humana e dela depende o sentido que cada um dá ao seu percurso pelo mundo. 

Apaixonar-se pela opção é algo mais indispensável para que cada pessoa, sobretudo os cristãos, não sejam “os mornos” do Apocalipse, ameaçados de ser vomitados por Deus. É o entusiasmo, a esperança, a persistência, a vontade de ser melhor que devem identificar o homem em todas as cenas de sua vida.

Coluna – Fé e Cidadania - Folha de S.Pedro maio 2007
Texto De: Yvete Amaral



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quinta-feira, 6 de junho de 2019

Missão Oblata - Compromisso solidário com a mulher

A missão iniciada por Padre Serra e Madre Antonia, é realizada pelas Irmãs Oblatas no compromisso solidário e caminho compartilhado com as meninas, jovens e mulheres que se encontram em contexto de prostituição ou são vítimas de tráfico com fins de exploração sexual. 

Uma missão que nos supõe uma mística, um espírito de projetar-nos em realizações práticas que levem à libertação integral das mulheres, comprometidas na defesa de direitos, na busca de oportunidades de promoção e inclusão, e levando-nos a estabelecer estreitas relações de cumplicidade, desde o reconhecimento e a igualdade.

Conheça mais de nossa missão através do vídeo:






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