Vocacional Oblata

terça-feira, 23 de agosto de 2016

Testemunho Vocacional

No dia 03 de julho de 2014 fui surpreendida por uma carta vocacional para jovens que tinha como título: “Vem e Segue-me!”. No primeiro instante achei engraçado, pois acreditava que minha vocação já estava definida e seria o matrimônio, porém não contive a minha curiosidade e fui ler exatamente o que dizia a carta. Senti realmente que alguém estava falando comigo através daquela carta, pois em uma das frases dizia: 'Jesus precisa de você para continuar sua missão no mundo'. Me negava escutar aquela frase que ficou ressoando dentro de mim, até que um dia tive coragem e resolvi começar a fazer um acompanhamento vocacional. 

Comecei por curiosidade, sem muito interesse, pois não tinha nada a perder. Realmente não tive nada a perder, só ganhei. Entre muitas fichas e alguns encontros vocacionais e partilhas, o que havia mexido comigo no primeiro contato só foi aumentando.

Quanto mais eu conhecia, mais eu queria conhecer, até que um dia percebi que precisava tomar decisões mais concretas. Foi a partir daí que cada vez mais fui me questionando e optei por uma grande decisão. 

Decidi dar mais um passo em minha caminhada, pedi orientação de como proceder, e como orientado, fiz uma carta solicitando minha entrada no Aspirantado externo. Enviado o pedido, era só aguardar a resposta da Congregação. O tempo foi passando e a ansiedade aumentando, quando chegou à carta da Congregação não conseguia ver, pois meu nervosismo era tão grande que não me ajudava, até que respirei fundo e consegui ver, e não poderia ser uma resposta melhor... Era um Siiiiiimmmm. Até agora foi o melhor sim da minha vida!

Com este sim, tinha que dizer para minha família o que estava acontecendo. Já sabia que as reações não seriam as melhores, pois não acreditavam que um dia eu realmente pudesse tomar essa atitude. Mas confiava que aos poucos Deus ia agindo na vida de meus familiares para que compreendessem e não foi diferente, Deus realmente agiu. 

Até que chegou o dia da minha entrada no Aspirantado externo. Foi um dia de muita alegria, pois estava confirmando um chamado que por algum tempo eu recusei por insegurança. Naquele momento como Aspirante ainda sentia que poderia dar mais de mim, então poderia pedir para fazer experiência.
Aos poucos fui amadurecendo essa ideia até que pedi e mais uma vez fui aceita. Mais um comunicado a família e agora mais difícil, pois ia abandonar o meu cotidiano (Trabalho, faculdade), mas já estavam preparados e aceitaram muito bem a minha decisão. 

Fiz um bom caminho, na verdade estou fazendo um ótimo processo. Pois a caminhada é constante. O que para mim um dia foi surpresa, hoje já no Postulantado é motivo de muita alegria. Todos os meus passos foram dados no momento certo. Estar mais próxima à missão, da vida comunitária é muito gratificante, sinto que estar mais próxima da missão, posso transmitir o amor que Deus tem comigo.

Marcelly Gomes de Carvalho, 23 anos, 
Postulante Oblata, natural do Rio de Janeiro.

segunda-feira, 22 de agosto de 2016

Chamados a ser livres para amar

É do amor de Deus, difundido em nossos corações, por meio do Espírito, que a comunidade religiosa se origina e por ele se constrói como uma verdadeira família reunida em nome do Senhor.” (A vida Fraterna em Comunidade I, 8).

A liberdade e o amor são duas palavras fundamentais quando falamos sobre vocação. Toda vocação nasce de uma relação, de um chamado e de uma missão. Não existe nenhuma vocação que não contenha em si esta experiência de encontro e entrelaçamento entre o querer amoroso de Deus e o vocacionado. Se toda vocação nasce a partir da iniciativa divina, o vocacionado é chamado a reproduzir no mundo os mesmos gestos de amor, misericórdia, acolhida, fraternidade, justiça e paz do próprio Deus. A vocação do profeta Jeremias deixa bem clara a ação de Deus como anterior a qualquer iniciativa humana e como base fundamental que possibilita ao discípulo a experiência do amor gratuito e livre.

O chamado de Deus a toda pessoa humana é pleno de liberdade e de amor, de modo que, a vocação está imersa na capacidade de reconhecer-se através de gestos concretos de doação de si. Assim, todo vocacionado é chamado a perceber que sua verdadeira identidade encontra-se na disposição corajosa de sua vida e na capacidade de entregá-la por causa do Reino de Deus. Sair de si mesmo constitui um trabalho fundamental para quem deseja seguir a Cristo e ser seu discípulo.

O convite de Jesus é um apelo à experiência da fé. Nesta dinâmica, a vocação cristã é “deixar-se a si mesmo, sair da comodidade e rigidez do próprio eu para centrar a nossa vida em Jesus Cristo; abandonar como Abraão a própria terra, pondo-se confiadamente a caminho, sabendo que Deus indicará a estrada para a nova terra” (Mensagem do Papa Francisco pelo Dia Mundial de Oração pelas Vocações).

A confiança discipular conduz cada vocacionado a ir além de si mesmo e assumir no mundo uma vocação específica, seja ela para a vida matrimonial, sacerdotal, religiosa, leiga e missionária. Em toda vocação, a felicidade encontra-se no fazer-se servo, irmão e próximo de cada pessoa e de todas as coisas criadas. 

Deste modo, a vocação de um modo geral passa pelo exercício de ser no mundo,  testemunha de Jesus Cristo como servo/a de toda criatura através da oração, do serviço aos mais necessitados, da fraternidade e do anuncio da paz e do bem em todos os lugares do mundo. 

Texto com adaptações.
Frei Willian Gomes Mendonça OFMCONV. 
Jornal Testemunho de fé 2015

sábado, 20 de agosto de 2016

Reflexão do Evangelho: Lc 1,39-56

O evangelho de hoje é o Magnificat. O quadro narrativo é significativo: Maria vai ajudar sua parenta Isabel, grávida, no sexto mês. Ao dar as boas-vindas à prima, Isabel interpreta a admiração dos fiéis diante daquilo que Deus operou em Maria. Esta responde, revelando sua percepção do mistério do agir divino: um agir de pura graça, que não se baseia em poder humano; pelo contrário, envergonha esse poder, ao elevar e engrandecer o pequeno e humilhado, porém dedicado ao serviço de sua vontade amorosa. O amor de Deus se realiza por meio não da força, mas da humilde dedicação e doação. E nisso manifesta sua grandeza e glória.

O Magnificat, hoje, ganha nova atualidade, por traduzir a pedagogia divina: Deus recorre aos humildes para realizar suas grandes obras.  Ele escolhe o lado de quem, aos olhos do mundo, é insignificante. Podemos ler no Magnificat a expressão da consciência de pessoas “humildes” no sentido bíblico: rebaixadas, humilhadas, oprimidas. A “humildade” não é vista como virtude aplaudida, mas como baixo estado social mesmo, como a “humilhação” de Maria, que nem tinha o status de casada, e de toda a comunidade de humildes, o “pequeno rebanho” tão característico do Evangelho de Lucas (cf. 12,32, texto peculiar de Lc). Na maravilha acontecida a Maria, a comunidade dos humildes vê claramente que Deus não obra por meio dos poderosos. É a antecipação da realidade escatológica, na qual será grande quem confiou em Deus e se tornou seu servo (sua serva), não quem quis ser grande pelas próprias forças, pisando os outros. Assim, realiza-se tudo o que Deus deixou entrever desde o tempo dos patriarcas (as promessas).

A glorificação de Maria no céu é a realização dessa perspectiva final e definitiva. Em Maria são coroadas a fé e a disponibilidade de quem se torna servo da justiça e da bondade de Deus; impotente aos olhos do mundo, mas grande na obra que Deus realiza. É a Igreja dos pobres de Deus que hoje é coroada.

Em Maria vislumbramos a combinação ideal da glória e da humildade: ela deixou Deus ser grande na sua vida.

Pe. Johan Konings, sj
Fonte: Revista Vida Pastoral

sexta-feira, 19 de agosto de 2016

Jesus, modelo de animador vocacional

Nesta caminhada vocacional, Jesus se mostra nosso companheiro e amigo. Se faz presente em todos os momentos e nos escuta, escuta essa que nos direciona o melhor caminho.



5. Jesus chama pecadores.
Chama pessoas defeituosas, limitadas, fracas e apresenta os remédios para a cura, a conversão, a mudança do coração. Jesus abre as portas para a solução e a superação dos problemas do vocacionado. Ele mostra como as fraquezas podem jogar o vocacionado nos braços do Pai, tornando-o mais humano, misericordioso, compreensivo e compassivo. Isso gera esperança no vocacionado e infinita gratidão, pois tudo é graça. A Experiência da fraqueza estimula o desejo e o anseio pela santidade.





6. Jesus acompanha o vocacionado. 
É preciso estar com Jesus, aprender com Ele, ter Seus sentimentos, seus critérios, Suas atitudes. Jesus mostra que a vocação é para a missão e vai corrigindo, educando, preparando, formando o vocacionado. Tem muita paciência no processo educativo, respeita as etapas e a liberdade da resposta do vocacionado.



Texto com adaptações.
Dom Orlando Brandes, Arcebispo de Londrina, PR
Fonte: Revista Mensageiro

quinta-feira, 18 de agosto de 2016

A família e os idosos: um desafio vocacional

Falar de família, de sua vocação e missão é trazer o tema do cuidado com os idosos como um dos assuntos principais, afinal, somos chamados a resgatar sua dignidade e seu valor no seio familiar. Quantos e quantas não são esquecidos, deixados à margem até mesmo por serem considerados um “estorvo”? Não são de forma alguma! Uma das missões mais sublimes que temos é valorizá-los integralmente, garantir seus direitos e respeitá-los acima de tudo.

Nos acontecimentos da História da Salvação, há alguns sinais de que o idoso faz parte da construção do projeto de Deus para seu povo: “O acontecimento da apresentação no templo (cf. Lc 2,41-50) coloca-nos diante do encontro das gerações: as crianças e os anciãos. A criança que surge para a vida, assumindo e cumprindo a Lei, e os anciãos, que a festejam com alegria do Espírito Santo. Crianças e anciãos constroem o futuro dos povos. As crianças porque levarão adiante a história, os anciãos porque transmitem a experiência e a sabedoria de suas vidas” (DAp nº 477).

Muitos aspectos devem ser considerados quando tratamos do tema da família, ou, do contrário, correremos o risco de deixar de lado assuntos de extrema importância. Para o idoso, não é fácil lidar com a solidão e as fragilidades diante de tantas situações diárias. É um grande mal, para aqueles que seguem a Cristo e seus ensinamentos, que a pessoa idosa seja descartada, abandonada aos cuidados ou “descuidados” de terceiros, ou da própria sociedade. É preciso levar em conta toda a vivência e dedicação que cada um teve durante a caminhada. "Muito“ de nossos idosos gastaram a vida pelo bem de sua família e da comunidade, a partir de seu lugar e vocação. Muitos, por seu testemunho e obras, são verdadeiros discípulos missionários de Jesus. Merecem ser reconhecidos como filhos e filhas de Deus, chamados a compartilhar a plenitude do amor e a serem queridos em particular pela cruz de suas doenças, da capacidade diminuída ou da solidão. A família não deve olhar só as dificuldades que traz a convivência com eles ou o ter que atende-los. A sociedade não pode considera-los como peso ou carga. É lamentável que em alguns países não haja políticas sociais que se ocupem suficientemente dos idosos já aposentados, pensionistas, enfermos ou abandonados. Portanto, exortamos a criação de políticas sociais justas e solidárias, que atendam a estas necessidades” (DAp Nº449).

Não se pode deixar de lado o que a igreja vem fazendo nesse sentido, através de documentos, campanhas e pastorais, especialmente a Pastoral da Pessoa idosa que, a partir de um trabalho bem, a partir de um trabalho bem direcionado e consistente, busca a promoção humana e espiritual, a valorização da pessoa idosa, o resgate da dignidade, e a luta pelos direitos dos idosos. Somos chamados a participar, a oferecer nossa ajuda, a sermos voluntários para que o trabalho cresça e se torne cada vez mais sólido.

Que a Igreja, família doméstica, a partir da reflexão no Sínodo dos Bispos sobre a família, assuma de fato a sua verdadeira missão e vocação, sabendo lutar pela autêntica acolhida às pessoas idosas. Dessa forma, diante da pergunta: “E o idoso, como vai?”, possamos responder: “Vai bem, muito bem, com a graça de Deus e sendo cuidado pelos irmãos e irmãs!”.

Texto com adaptações.
Pe. Geraldo Tadeu Furtado, RCJ – Daniel Leão
Diretor da Rogate e Assistente de Redação, respectivamente.
Fonte: Revista Rogate.

terça-feira, 16 de agosto de 2016

Tempo de Valorizar a família

O Segundo domingo de agosto, é dedicado aos pais, vivos ou falecidos e, por conseguinte, à família, cuja semana é celebrada em seguida.

Para nós que professamos a fé católica, falar de pai é lembrar automaticamente de Deus, o Pai por excelência, e de São José, o homem escolhido pelo mesmo Senhor para ser, na terra, o pai adotivo de seu Filho, Jesus Cristo, quando este “na plenitude dos tempos” (Gl 4,4) sem deixar de ser Deus, assumiu, no seio da Virgem Maria, por obra do Espirito Santo, a nossa humanidade, a fim de resgata-la do pecado e elevá-la, novamente, à filiação divina.

Diz o Santo Padre, o Papa Francisco: “Hoje ponderaremos acerca de uma característica essencial da família, ou seja, a sua vocação natural para educar os filhos, a fim de que cresçam na responsabilidade por si mesmos e pelo próximo. O que lemos do apóstolo Paulo é muito bonito: ‘Filhos, obedecei em tudo aos vossos pais, porque isto agrada ao Senhor. Pais, não irriteis os vossos filhos, para que eles não desanimem’ (Cl 3, 20-21). Trata-se de uma regra sábia: o filho que é educado a ouvir e a obedecer aos pais, os quais não devem mandar de uma maneira inoportuna para não desencorajar os filhos. Com efeito, os filhos devem crescer passo a passo, sem desanimar. Se vós, pais, dizeis aos vossos filhos. Com Efeito, os filhos: ‘Subamos por escada’ e pegais na sua mão, ajudando-os a subir passo a passo, as coisas correrão bem. Mas se vós dizeis: ‘Sobe!’ – ‘Mas mão consigo’ – ‘Vai!’, isto chama-se exasperar os filhos, pedindo-lhes aquilo que eles não são capazes de fazer. Por isso, a relação entre pais e filhos deve ser sábia, profundamente equilibrada. Filhos, obedecei aos vossos pais, pois isso agrada a Deus. E vós, pais, não exaspereis os vossos filhos, pedindo-lhes coisas que eles não conseguem fazer. É preciso agir assim, para que os filhos cresçam na responsabilidade por si mesmos e pelo próximo”.

Texto com Adaptações
Cardeal Orani João Tempesta, Arcebispo do Rio de Janeiro
Fonte: Jornal Testemunho de Fé, agosto de 2015.