Vocacional Oblata

segunda-feira, 24 de abril de 2017

Sentido da Páscoa em minha vida - Por Marcelly Gomes



Ao falar na palavra Páscoa me faz recordar de um caminho. Caminho este que começa a ser trilhado na quarta-feira de cinzas, onde iniciamos a Quaresma.


Ao chegarmos à quaresma nos propomos a mudar algumas atitudes e praticarmos mais a oração, o jejum e a caridade, afim de que possamos chegar no dia de celebrar a vitória de Cristo sobre a morte, e estejamos prontos e prontas para junto dele celebrar.

Páscoa é...
Paixão,
Morte,
Ressurreição,
Vitória de Cristo sobre a morte,
Tempo de luz,
Passagem para uma nova realidade,
Vida nova,
Abrir o coração para Jesus entrar e fazer morada.

Neste tempo pascal Jesus vai se revelando em meio aos seus discípulos, que Ele nos ajude a continuar o seu caminho e que cada vez mais possamos ser presença de vida e esperança em meio aos nossos irmãos e irmãs em especial na vida das mulheres em situação de prostituição.

Marcelly Gomes- Postulante Oblata

quinta-feira, 13 de abril de 2017

Campanha da Fraternidade 2017

Você sabe o que é a Campanha da Fraternidade?  

A Campanha da Fraternidade surgiu durante o desenvolvimento do Concílio Vaticano II (1962-1965). É uma campanha que envolve os membros da Igreja Católica, com diversas ações pastorais em todo o Brasil, que se desenvolve mais intensamente durante o tempo da Quaresma. 

Com temas concretos e atuais, a CF, é um projeto que procura animar todas as comunidades num compromisso pastoral concreto que marque a unidade da Evangelização pelo empenho comum em prol da solidariedade e fraternidade que nascem do amor de Cristo. Durante esse período, a liturgia trabalha paralelamente com a Campanha. Os cantos litúrgicos da missa, as preces e outras orações são voltados também para o tema que está sendo trabalhado. A CF atinge, cada ano, um problema determinado e urgente que precisa do esforço de ação pastoral conjunta no país, desafios sociais, econômicos, políticos, culturais e religiosos da realidade brasileira.

Atualmente, em sua trajetória nacional desde 1964, a Campanha alcança novos horizontes incluindo a comunhão com outras igrejas cristãs, realizando a Campanha da Fraternidade Ecumênica. 

Neste ano de 2017 A Campanha da Fraternidade tem como tema ‘Fraternidade: biomas brasileiros e defesa da vida’ e o lema insipidado no Livro de Gênesis: ‘Cultivar e guardar a criação’ (Gn 2.15).

Retomando temáticas ecológicas anteriores que alerta para o cuidado da criação, o Objetivo geral é: “Cuidar da criação, de modo especial dos biomas brasileiros, dons de Deus, e promover relações fraternas com a vida e a cultura dos povos, à luz do Evangelho”. 
A campanha terá início em todo o Brasil no dia 1º de março.

Texto com Adaptações.
Fontes: Google, Texto base CF 2017.

sexta-feira, 7 de abril de 2017

Experiência de missão Oblata em Angola - por Irmã Dilia Lopes

Neste mês de abril a Congregação das Irmãs Oblatas celebra mais um ano de presença e missão em Angola.  

Entrevistamos a Irmã Dilia Lopes, que está em missão em Angola há 11 anos. Ela nos conta um pouco de sua experiência neste país que vem se reconstruindo após 27 anos de Guerra civil.
  • Como foi sua chegada em Angola? Quando fui chamada a participar da comunidade em Angola, eu Vivia na Colômbia, minha terra natal. Mas antes de ir a Angola, estive por seis meses na comunidade Nazaré (Rio de Janeiro). Foi uma experiência rica conviver com as irmãs, e poder me adaptar um pouco com a língua portuguesa. Quando cheguei a Angola tinham duas comunidades (Luanda e Lobito) e as irmãs me receberam muito bem. Foi cerca de um ano o meu processo de adaptação e conhecer a realidade social. Era tudo muito diferente, costumes e língua, mas eu tinha muita vontade de conhecer.
  • O que te chamou a atenção no país? A Realidade social em Angola é muito forte. Existe um contraste entre riqueza e miséria, mas frente a isso, o que mais me chamou a atenção foi a Acolhida do povo, com carinho e a felicidade com a chegada de missionárias. É um povo um carinhoso e alegre. A cidade e as pessoas estão em construção, quando cheguei lá, faziam apenas 2 anos do fim da guerra, estavam iniciando um processo de reestruturação social. As pessoas tinham em si um misto de medo e expectativa... Um país começando a se reerguer e com medo do que poderia vir. Outra coisa me que tocou nesta realidade, foi que estando na missão, via muitas jovens em Lobito na rua, jovens desorientadas sem famílias e com muitas doenças, sem formação, menores de idade em situações precárias.
  • O que mudou em Angola neste tempo em que vive lá? Pouco a pouco tudo vai se organizando. O país não fez um processo de passagem para absorver a nova realidade e convive com uma invasão estrangeira de muitas culturas, o que interfere no desenvolvimento da sociedade e cultura local. Angola vive uma crise econômica muito forte, muitas empresas deixaram de investir e isso causou muito desemprego. O País é rico em recursos minerais e naturais (como terras férteis e a pesca), mas só apostam no petróleo. Mesmo com as dificuldades econômicas muitas, pessoas buscam a educação; jovens e adultos se formando na universidade, são dispostos a estudar e tentar melhorar sua vida e dos familiares.
  • Como é a experiência de missão no país? Quando cheguei para trabalhar no projeto de missão, ainda não havia um local especifico para se trabalhar, abordavam as mulheres nas ruas. Mesmo sem um local próprio para atendimento, as irmãs já tinham um contato com a comunidade e uma aproximação com as autoridades locais. Depois buscaram um lugar próprio da congregação, e o encontraram no centro, onde puderam atender as mulheres. Tivemos ajuda para o projeto se instalar e dar os primeiros passos que nos levam a caminhar até hoje. O contato com as mulheres angolanas me enriqueceu muito e ver as jovens e adolescentes no mundo da prostituição para sobreviver é muito forte. Não tinha convivido com mulheres e crianças com DST’S e AIDS, e foi o que tocou profundamente e, sobretudo ver esses pequenos lutando para sobreviver em meio à miséria. É bonito ver que o carisma da congregação foi semeado nesta terra africana, na esperança de ter continuidade com o povo angolano. E hoje vemos que dá frutos; temos irmãs, vocacionadas e leigos engajados na missão.
  • Qual a mensagem que a Senhora deixa para as jovens que querem conhecer a congregação? Toda vocação é valiosa, tem seu sentido de ser na igreja. Responder o chamado de Deus nem sempre é fácil, mas vale a pena lutar pela vocação aonde Deus te chama. Se dê um tempo para conhecer e se apaixonar por Jesus, e seguramente se irão se apaixonar pela missão, porque é a causa de Jesus. A vocação Oblata vale a pena! Não desistam! A vocação é de Deus, as vezes não é fácil, mas Deus dá forças!



sexta-feira, 24 de março de 2017

Mês da Mulher - Vitórias e Conquistas- Entrevista com Ir. Pilar Laria


Os Projetos de missão do Instituto das Irmãs Oblatas do Santíssimo Redentor lutam pelo fortalecimento e reconhecimento da mulher na sociedade. E neste mês da mulher, entrevistamos Irmã Pilar Laria, representante da Unidade Oblata de Belo Horizonte, que nos conta como acontece o trabalho de conscientização das mulheres atendidas.

Como é processo que as mulheres vivem dentro dos projetos?
R: O processo que as mulheres vivem é muito diversificado.
Em cada estado onde temos projetos há diferenças de como se vive e se exerce a prostituição.
E esse processo depende de cada uma e de cada história em que viveram e vivem.
Acompanhadas no dia a dia, e tendo a liberdade de expressar seus sentimentos e histórias de vida, as mulheres vão reconhecendo sua maneira de ser, e se percebe o crescimento, pois começam a ter atitudes de autoestima e reconhecimento que são mulheres cidadãs, dignas de respeito. Este processo é lento e demorado, devendo ter muita paciência nessa caminhada do reconhecimento que são protagonistas de suas histórias. 

Como é o processo da Conscientização e descoberta de que as mulheres são cidadãs, que têm seus direitos e deveres?
R: Por meio da aproximação, da acolhida... Um dia após o outro, colocando para elas os seus valores que têm como mulheres, sendo cidadãs iguais a todas, que tem seus direitos e deveres, e também incentivando elas a frequentarem a pastoral, onde tem seus tempos de formação e aos poucos vão se conscientizando e adquirindo uma autonomia de si mesmas.

Como elas vêem a importância do dia 08 de março?
R: Em todos os projetos às mulheres se unem a outros grupos, participam de ações, demostrando igualdade e luta. Para isso, incentivamos para que corram atrás de seus direitos de trabalho, de cidadania, vivendo uma igualdade na sociedade.

E para a Senhora como mulher, Irmã Oblata e integrante da unidade de Belo Horizonte, qual é seu sentimento e opinião sobre este processo na vida das mulheres atendidas?
Eu como mulher me sinto unida a outras mulheres, tendo os mesmos direitos e deveres.  Como Irmã Oblata busco ajudar as mulheres em situação de prostituição no que eu puder, exercendo a missão e vivendo intensamente meu carisma Oblata.
Dois pontos fortes que não poderia deixar de lado, são a nossa espiritualidade e a missão. Toda Oblata deve ter em mente esse seguimento do Cristo Redentor. Por isso quero que as mulheres tenham vida e vida em abundancia! Fico feliz quando vejo que estão fazendo uma caminhada, e retomando suas vidas.


terça-feira, 21 de março de 2017

Dia Internacional pela Eliminação da Discriminação Racial.

A mulher negra e o duplo processo de exclusão

Quando falamos em papéis sociais, nos deparamos com uma questão crucial, que são as relações de poder. Neste âmbito, percebe-se que ao longo da história a mulher esteve desfavorecida e julgada em condição de inferioridade em relação aos homens, não sendo assimilada como sujeito/pessoa a ascender socialmente, economicamente e politicamente. Este contexto foi sendo construído e sustentado, levando as pessoas do sexo feminino a tornarem-se parte de um gênero subordinado. Neste sentido, a exclusão da mulher nas diversas dimensões da sociedade foi sendo dada como natural.

Quando falamos da mulher negra, encontramos um duplo processo de exclusão, que passa não somente pelas questões de gênero, como também pelo preconceito e discriminação racial. “O preconceito e o racismo são atitudes e modos como se veem certos grupos sociais. Quando ocorre o preconceito racial, a pessoa enxerga nos outros, características que lhe desaprovam porque têm como parâmetro as características do grupo social em que está acomodada. O racismo também é uma atitude que, do olhar do racista, adota uma postura contrária a certas pessoas pelos seus traços físicos, levando em comparação o padrão do seu próprio grupo social. Já a discriminação racial é a manifestação dessas atitudes preconceituosas e racistas [1]”. Isto é, quando o preconceituoso ou racista expõe seus pensamentos e pode vir a prejudicar alguém, é que ocorre a discriminação.

Portanto, podemos dizer que para a mulher negra, o processo de enfrentamento é ainda maior, pois para vencer as desigualdades de gênero, dadas como barreiras naturais da sociedade enquanto feminino terá de vencer o preconceito, o racismo e a discriminação. Ao longo da história, a mulher negra no Brasil tem enfrentado a conjugação das questões de gênero e raciais. O modelo de produção capitalista adotado traz em si marcas do modelo escravagista que afetam diretamente as mulheres, já que perpetua desigualdade e exclusões em seus meios. Nas últimas décadas as mulheres têm se fortalecido e vem conquistando espaço em diversas esferas sociais. Atualmente são parte relevante da população economicamente ativa, sendo incorporadas ao seu desenvolvimento e reconhecimento outras formas de exploração, que diz respeito a um sistema acumulativo de funções.  Este fator se torna ainda mais complexo quando se trata de mulheres negras, que levam os reflexos de um sistema político  escravocrata.

De todo modo, a mulher vem percorrendo a história sendo exemplo de superação e perseverança. Cada conquista veio por meio de sua inteligência em argumentar e na demonstração de suas capacidades, mas claro, após muita luta. E esta ainda continua...

“Ao pensarmos a situação da mulher negra no Brasil atual, temos que levar em consideração  que em uma sociedade democrática, o respeito às diferenças de raça, etnia, gênero, orientação sexual, aparência física não é abandonar cada seguimento à sua própria sorte, mas questionar as relações de poder que hierarquizam as diferentes posições [2].

Artigo de Fernanda Soares
Fonte: Jornal da Pastoral da mulher - BH/MG

1- Artigo: A questão racial no Brasil e as relações de gênero: um estudo do reflexo das desigualdades sociais, politicas e econômicas no cotidiano da mulher negra - Fernanda da Silva Lima (UFSC), Louvani de Fátima Sebastião da Silva (UNESC)

2-Artigo: Mulheres negras: reflexões sobre identidade e resistência - Rosângela Rosa Praxedes.